Depoimento de Ana Maria Maia durante o processo de acompanhamento crítico no Programa Experiência – Itaú Cultural – 2012

Desde que vi o vídeo Fúria Centrípeta no debate do Salão de Piracicaba, penso muito nele. Além de achá-lo um ótimo trabalho teu, identifico sintomas precisos do nosso tempo, desta conjuntura que compartilhamos, você como artista e eu como curadora. A tua ação no vídeo compreende o desenho de um círculo no chão, a partir do tensionamento de um barbante preso por uma ponta e atado a um carvão pela outra. A cada volta, uma leve rotação na corda em torno do carvão diminui a sua extensão e consequentemente o raio do círculo. Esse paralaxe da linha promove o teu deslocamento gradual para dentro da forma, até alcançar o centro.

A imagem converte-se para mim em metáfora de duas coisas:
1) de táticas para resolver problemas complexos a partir do cercamento de suas variáveis e da disponibilidade para deambulações e contornos – neles está muitas vezes o caminho do alvo;
2) das possibilidades de percurso (e inclusive distância, profundidade) ocasionadas pelo encurtamento de um espectro de ação, pelas coerções e adversidades em geral. O recolhimento aqui vira ampliação, comprovando que há em todo dilema um infinito em potencial.